domingo, 12 de dezembro de 2010

A “Árvore”

Álvaro Teixeira

Foi posta a semente na terra.
Nasceu um rebento: era a Árvore.
Com alguns cuidados, cresceu,
cresceu, tornou-se adulta.
Estava já apta a gerar vida,
Mas recusou-se a ser mãe.
“O buraco na camada do ozono;
A poluição na Terra, no ar e no mar;
O fabrico de armas químicas
e o poder nas mãos de loucos…”
Era o pessimismo.
Partir sem deixar descendentes
Seria um alívio, enquanto que deixando
filhos indefesos seria um pesadelo.
“Mas se alguém travar
esta corrida para o abismo?!”
Ficou indecisa.
“Não será irresponsabilidade não contribuir
para a continuação de vida na Terra?
Ia-se interrogando, enquanto que os frios
meses de Inverno davam lugar
a uma Primavera florida, linda, extasiante.
E os seus braços lá estavam,
Ainda pequeninos, os filhos,
Para garantirem a continuação de vida neste,
tão mal tratado, mas tão belo
pedacinho do Universo.

04-09-1990

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Misterioso e Revolto

António Teixeira (Chã-de Ribeiras)

Ó mar belo e perigoso,
Eu te peço por favor,
Não venhas cá fora de novo,
Não massacres mais o Povo,
Para não causares mais dor.

Não te posso censurar,
Por tua agitação ser feroz,
Por natureza és assim,
Capaz de causar o fim,
Sem te preocupares em nós.

O prejuízo que deste,
Em vidas e material,
Pudesses tu tê-lo evitado,
Pois tanto mal foi causado,
Por tua fúria infernal.

Serena-te ó mar infinito,
E não causes mais tristeza,
Não destruas mais a terra,
Pois já lhe basta a guerra,
Para perder a sua beleza.

O que aconteceu na Ásia
Provocou choro e ais,
Acalma-te ó mar revolto,
Em mil mistérios envolto,
Não faças ninguém sofrer mais.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Rio

Jorge Pimentel

Oh! Água do Homem
Que galegamente mudas
As margens férteis do Minho
Saudade pura da tua lida.

Rompe a rivalidade da terra
Amaina as ervas e os rochedos
Que amas secularmente tuas,
Pois tranquiliza-o no ventre.

Não sofras com a inerte água
Dos teus dias, a demora
Do Bem que te vivifica.

Sê continuamente o marco
Que eleva o outro lado
Da margem obscura e oca.

domingo, 28 de novembro de 2010

António Teixeira (Chã-de-Ribeiras)

Ó Iraque, Iraque
Terra rica, terra pobre,
Por tantos és odiada;
Que mal cometeste tu
Para seres tão bombardeada?
As crianças não brincam, não riem,
Os velhinhos ficam mudos;
Há um silêncio de morte,
E cada um fica à espera,
À espera da sua sorte.
É a árvore que não se agita;
É o breu que te ensombra,
Será que as estrelas brilham?
Até os rios serenam;
Os pássaros não cantam,
Os cães não ladram!
Continua o silêncio de morte;
Então; as bombas rebentam,
E ditam… a tua sorte.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A quinta coluna

Mário Hattos (31/10/2010)

De virtudes desprovidas
Guiados pelo ancião
Silenciosos como o ladrão
Fizeram-se subversivos

Por caminhos escondidos
Porque sem aptidão
Temiam que a razão
Os deixasse logo vencidos

Agora, submetidos
À vontade do vilão
Sem norte, perdidos

Clamam pela atenção
Dos corações encardidos
Que no podre trono estão.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dor poética

Tiago Cunha

Donde escrevo, cabo de tormentas surdo e mudo,
Impensável de se atravessar por terra ou por mar.
Malditos vermes!
Incompreendidos! Despojados de razão.
Não entendem, aqueles que vivem do suor da caneta.
Fazendo com que mudem de pátria como quem troca de camisa.
Instável e franco, altivo e carinhoso, o poeta será sempre,
Sem pátria.
Percorre milhas e léguas, escorraçado, conhecendo Gregos e Troianos,
Para depois ser roubado, pilhado e privado da razão do seu viver.
O poeta cria o mundo com palavras,
Imitando o Deus do Génese, mas Deus sabia o que iria criar,
O poeta só o sabe depois……………….

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Lorena

Álvaro Teixeira

Ela passou e
eu fiquei a olhá-la
Ela me olhou
quando gritei a chamá-la
Ela esperou
que eu dissesse o que queria
Mas continuou
sem me dar a alegria
de ouvir a sua voz…
Quando ela entrou
no carro que a levaria
Para trás olhou
e para mim sorria
Era gigante
o vazio que eu sentia
Quando naquele instante
em silêncio ela partia
sem eu saber p’ra onde…
Mas ela atirou
algo e eu apanhei
Era um cartão
com o qual fiquei
Surpreendido
porque nele me dizia
Faltar-lhe o sentido
sem o qual não podia
fazer ouvir sua voz…
...Lorena chegava
logo acenei a chamá-la
Lorena me olhava
e eu fiquei a olhá-la
Lorena me “ouviu”
dizer-lhe o que queria
Lorena assentiu
dando-me a grande alegria
de ficar comigo..