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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dor poética

Tiago Cunha

Donde escrevo, cabo de tormentas surdo e mudo,
Impensável de se atravessar por terra ou por mar.
Malditos vermes!
Incompreendidos! Despojados de razão.
Não entendem, aqueles que vivem do suor da caneta.
Fazendo com que mudem de pátria como quem troca de camisa.
Instável e franco, altivo e carinhoso, o poeta será sempre,
Sem pátria.
Percorre milhas e léguas, escorraçado, conhecendo Gregos e Troianos,
Para depois ser roubado, pilhado e privado da razão do seu viver.
O poeta cria o mundo com palavras,
Imitando o Deus do Génese, mas Deus sabia o que iria criar,
O poeta só o sabe depois……………….

domingo, 7 de novembro de 2010

Chuva

Tiago Cunha

Ela cai, mandada ou de livre vontade, não sei!
As rosas anseiam-na, os animais adoram salpicar-se nela.
Apenas ela nos limpa a sujidade de nos sujarmos,
Não falo da sujidade do homem que trata delicadamente o seu pedaço de terra, aliás isso
nunca foi sujidade, mas sim daquela, que nos faz matar uns aos outros, de odiar a nossa vida.
E de fazer correr lágrimas nos rostos das crianças.