Jorge Pimentel
Oh! Água do Homem
Que galegamente mudas
As margens férteis do Minho
Saudade pura da tua lida.
Rompe a rivalidade da terra
Amaina as ervas e os rochedos
Que amas secularmente tuas,
Pois tranquiliza-o no ventre.
Não sofras com a inerte água
Dos teus dias, a demora
Do Bem que te vivifica.
Sê continuamente o marco
Que eleva o outro lado
Da margem obscura e oca.
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
jorro
Jorge Pimentel (1998)
Brotam as águas das fontes
Lúcidas no andar leve
Bóiam tílias verdejantes
No incêndio que deve…
Surge o calor do indeciso dia
Que se liga humildemente
Ao jorro translunar que ia
Consciente sem rumo nem mente.
De que lume ríspido saíste?
Que incêndio cabal traíste?
Que deseja do negro aquoso?
De novo me perdi na margem
Direita ou esquerda do meu centro
Sem destino que incêndio cativas?
Brotam as águas das fontes
Lúcidas no andar leve
Bóiam tílias verdejantes
No incêndio que deve…
Surge o calor do indeciso dia
Que se liga humildemente
Ao jorro translunar que ia
Consciente sem rumo nem mente.
De que lume ríspido saíste?
Que incêndio cabal traíste?
Que deseja do negro aquoso?
De novo me perdi na margem
Direita ou esquerda do meu centro
Sem destino que incêndio cativas?
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domingo, 31 de outubro de 2010
Carta de poema
Jorge Pimentel
De Pessoa se corroe o Fernando
Num amor ofeliano do fingir
Se corre para o armazém
Vê-a e suspura do olhar
Se não dorme, escreve
Como doente à procura de cura
da indiferença, da solidão
E do Sentir mais uma noite amargurada
E intranquila que mata a faísca
Dum ego só, mudo, obreiro e cansado.
Vive a paixão da carta, do vocábulo
do fonema bé, ecoando no terno e carinhoso
espaço passionalmente nobre do diminutivo.
Na noitinha, no diinha, no minutinho, no segundinho,
Avança destemidamente para o lago
Das veias e artérias onde os pombos
Voam, rodopiam, voltam e revoltam,
Enquanto a névoa e a nuvem cobrem
A alma gentil que pertence a Outra
Lei e a uma Nova Ordem…
Para o Ortónimo
De Jorge Pimentel
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