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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Encontro com a felicidade

Álvaro Teixeira

De repente apareces tu e pronto:
Tudo agora faz sentido.
Tudo agora me serve de pretexto para dizer:
Como é bela a vida!
Como é belo o presente que me fora dado,
Presente esse que és tu!
Agora sinto preenchido o vazio que a tua
Ausência em mim provoca.
Acabaram-se as saudades do futuro.
Agora só existe Presente, porque este Presente
terá a duração da minha vida terrena.
E se depois, nos céus, me for possível amar-te,
Amar-te-ei eternamente e assim
Este Presente será eterno.
Nem sequer terei saudades do Passado, pois,
Não existe Passado desde que apareceste.
É que o Passado antes de ti, que então eu dividia
Em pequenos Presentes, fora de tal forma angustiante
Que jamais quero lembrá-lo.
Encontrar-te foi encontrar-me com a felicidade.
E quem não quer ser feliz eternamente?

domingo, 12 de dezembro de 2010

A “Árvore”

Álvaro Teixeira

Foi posta a semente na terra.
Nasceu um rebento: era a Árvore.
Com alguns cuidados, cresceu,
cresceu, tornou-se adulta.
Estava já apta a gerar vida,
Mas recusou-se a ser mãe.
“O buraco na camada do ozono;
A poluição na Terra, no ar e no mar;
O fabrico de armas químicas
e o poder nas mãos de loucos…”
Era o pessimismo.
Partir sem deixar descendentes
Seria um alívio, enquanto que deixando
filhos indefesos seria um pesadelo.
“Mas se alguém travar
esta corrida para o abismo?!”
Ficou indecisa.
“Não será irresponsabilidade não contribuir
para a continuação de vida na Terra?
Ia-se interrogando, enquanto que os frios
meses de Inverno davam lugar
a uma Primavera florida, linda, extasiante.
E os seus braços lá estavam,
Ainda pequeninos, os filhos,
Para garantirem a continuação de vida neste,
tão mal tratado, mas tão belo
pedacinho do Universo.

04-09-1990

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Lorena

Álvaro Teixeira

Ela passou e
eu fiquei a olhá-la
Ela me olhou
quando gritei a chamá-la
Ela esperou
que eu dissesse o que queria
Mas continuou
sem me dar a alegria
de ouvir a sua voz…
Quando ela entrou
no carro que a levaria
Para trás olhou
e para mim sorria
Era gigante
o vazio que eu sentia
Quando naquele instante
em silêncio ela partia
sem eu saber p’ra onde…
Mas ela atirou
algo e eu apanhei
Era um cartão
com o qual fiquei
Surpreendido
porque nele me dizia
Faltar-lhe o sentido
sem o qual não podia
fazer ouvir sua voz…
...Lorena chegava
logo acenei a chamá-la
Lorena me olhava
e eu fiquei a olhá-la
Lorena me “ouviu”
dizer-lhe o que queria
Lorena assentiu
dando-me a grande alegria
de ficar comigo..

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Álvaro Teixeira

Seios descaídos
De leite esvaziados
Filhos chorando
Esfomeados!
Mãe pobre chorava
Por não poder acudir
Aos filhos que via
Aos poucos a sucumbir!
Também ela com fome
E sem poder caminhar
Como iria arrastar-se
Para os filhos sepultar?!
Gritou… De dor
De joelhos caiu
Mãos levantadas
E a Deus pediu:
- Meu Deus, meu Deus
Fazei que caia do céu
Alimento para meus filhos
Que lhes o não posso dar eu!
De repente sentiu
Que o leite voltou
E percebendo o milagre
Que Deus em si operou
Então d’alegria
Mãe pobre chorou!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A sina duma “mulata”

Álvaro Teixeira

Vivia em bairro-de-lata
Vestia roupas remendadas
Mas se sentia já farta
De tantas lágrimas choradas

Mala feita já partiu
Sem um destino traçado
E jamais alguém a viu
Naquele bairro “ensombrado”.

A viagem terminada
Um emprego procurou
Mas já se desesperava
Quando por fim o encontrou

Bom salário oferecido
“Bom de mais p’ra acreditar”
E o que tinha percebido
Se viria a confirmar

Correu então para a linha
Do comboio que passaria
E o que de mau a vida tinha
Para si, acabaria.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A “chinesinha”

Álvaro Teixeira

Tinha cara pequenina
E um sorriso que encantava
Todo aquele que olhava
Sua cara de chinesinha

Vi-a já pela tardinha
Quando a casa regressava
Oh, mas que louco estava
Por sua cara redondinha

Cheguei-me junto da “chinesinha”
Que muito corada ficara
Assim que eu lhe falara
Duma grande paixão minha

Ouviu-me com todo o respeito
Mas depois que eu acabei
Oh, com que tristeza fiquei
Quando me disse: Não aceito.

E eu que esta esperançado
Em conquistar da “chinesinha”
Um beijo de sua boquinha
Fiquei assim desalentado.

sábado, 30 de outubro de 2010

Mãe pobre chorou


Álvaro Teixeira

Seios descaídos
De leite esvaziados
Filhos chorando
Esfomeados!
Mãe pobre chorava
Por não poder acudir
Aos filhos que via
Aos poucos a sucumbir!
Também ela com fome
E sem poder caminhar
Como iria arrastar-se
Para os filhos sepultar?!
Gritou… De dor
De joelhos caiu
Mãos levantadas
E a Deus pediu:
- Meu Deus, meu Deus
Fazei que caia do céu
Alimento para meus filhos
Que lhes o não posso dar eu!
De repente sentiu
Que o leite voltou
E percebendo o milagre
Que Deus em si operou
Então d’alegria
Mãe pobre chorou!