Bernardino Rocha
Amor agora!
Lá fora, longe da penumbra da memória
Deambula vaga e ténue a evidente consciência
Essa que me carrega e faz levitar da escória,
De uma sociedade podre fútil da loucura à demência
Mas na inocência, de cada florescer da eterna vida
Por cada lágrima jovial que te beija o rosto,
E na embriaguez perfumada da tua existência,
O apelo que aperta o meu pulsar frágil e gasto.
Eras tu na brisa dissolvida numa aurora
Flamejante, louca com teu odor inebriante.
És o arrepio que me trespassa na constante fúria,
No nunca relutante desejo de te possuir. Amor agora!
Já
Já não bastava a dor de não ter,
A dor de querer o que na dor não quero.
Já não bastava no sonho a tentação,
A luz na noite romper com a escuridão.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
A sina duma “mulata”
Álvaro Teixeira
Vivia em bairro-de-lata
Vestia roupas remendadas
Mas se sentia já farta
De tantas lágrimas choradas
Mala feita já partiu
Sem um destino traçado
E jamais alguém a viu
Naquele bairro “ensombrado”.
A viagem terminada
Um emprego procurou
Mas já se desesperava
Quando por fim o encontrou
Bom salário oferecido
“Bom de mais p’ra acreditar”
E o que tinha percebido
Se viria a confirmar
Correu então para a linha
Do comboio que passaria
E o que de mau a vida tinha
Para si, acabaria.
Vivia em bairro-de-lata
Vestia roupas remendadas
Mas se sentia já farta
De tantas lágrimas choradas
Mala feita já partiu
Sem um destino traçado
E jamais alguém a viu
Naquele bairro “ensombrado”.
A viagem terminada
Um emprego procurou
Mas já se desesperava
Quando por fim o encontrou
Bom salário oferecido
“Bom de mais p’ra acreditar”
E o que tinha percebido
Se viria a confirmar
Correu então para a linha
Do comboio que passaria
E o que de mau a vida tinha
Para si, acabaria.
Etiquetas:
Poesia-Álvaro Teixeira
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
jorro
Jorge Pimentel (1998)
Brotam as águas das fontes
Lúcidas no andar leve
Bóiam tílias verdejantes
No incêndio que deve…
Surge o calor do indeciso dia
Que se liga humildemente
Ao jorro translunar que ia
Consciente sem rumo nem mente.
De que lume ríspido saíste?
Que incêndio cabal traíste?
Que deseja do negro aquoso?
De novo me perdi na margem
Direita ou esquerda do meu centro
Sem destino que incêndio cativas?
Brotam as águas das fontes
Lúcidas no andar leve
Bóiam tílias verdejantes
No incêndio que deve…
Surge o calor do indeciso dia
Que se liga humildemente
Ao jorro translunar que ia
Consciente sem rumo nem mente.
De que lume ríspido saíste?
Que incêndio cabal traíste?
Que deseja do negro aquoso?
De novo me perdi na margem
Direita ou esquerda do meu centro
Sem destino que incêndio cativas?
Etiquetas:
Poesia-Jorge Pimentel
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Meu País… Meu País
António Teixeira (Chã-de-Ribeiras)
Que raio de país é este,
Que nos parte os corações?
Uns trabalham de gravata
O trabalho não os mata
E ganham muitos milhões.
Mas há outros em desespero
E de cabeça perdida,
Eu partem p’ró estrangeiro
Para ganhar algum dinheiro
Mas sempre a arriscar a vida.
O País que agora temos
Não é o que eu conheci,
Pois muito me entristece
A às vezes me apetece
Fugir para longe daqui.
Peço aos nossos decisores
Que levantem o nosso país,
Para ver se o nosso povo
Começa a sorrir de novo
E volta a ser feliz.
Que raio de país é este,
Que nos parte os corações?
Uns trabalham de gravata
O trabalho não os mata
E ganham muitos milhões.
Mas há outros em desespero
E de cabeça perdida,
Eu partem p’ró estrangeiro
Para ganhar algum dinheiro
Mas sempre a arriscar a vida.
O País que agora temos
Não é o que eu conheci,
Pois muito me entristece
A às vezes me apetece
Fugir para longe daqui.
Peço aos nossos decisores
Que levantem o nosso país,
Para ver se o nosso povo
Começa a sorrir de novo
E volta a ser feliz.
Etiquetas:
Poesia-António Teixeira (Chã-de-Ribeiras)
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
A “chinesinha”
Álvaro Teixeira
Tinha cara pequenina
E um sorriso que encantava
Todo aquele que olhava
Sua cara de chinesinha
Vi-a já pela tardinha
Quando a casa regressava
Oh, mas que louco estava
Por sua cara redondinha
Cheguei-me junto da “chinesinha”
Que muito corada ficara
Assim que eu lhe falara
Duma grande paixão minha
Ouviu-me com todo o respeito
Mas depois que eu acabei
Oh, com que tristeza fiquei
Quando me disse: Não aceito.
E eu que esta esperançado
Em conquistar da “chinesinha”
Um beijo de sua boquinha
Fiquei assim desalentado.
Tinha cara pequenina
E um sorriso que encantava
Todo aquele que olhava
Sua cara de chinesinha
Vi-a já pela tardinha
Quando a casa regressava
Oh, mas que louco estava
Por sua cara redondinha
Cheguei-me junto da “chinesinha”
Que muito corada ficara
Assim que eu lhe falara
Duma grande paixão minha
Ouviu-me com todo o respeito
Mas depois que eu acabei
Oh, com que tristeza fiquei
Quando me disse: Não aceito.
E eu que esta esperançado
Em conquistar da “chinesinha”
Um beijo de sua boquinha
Fiquei assim desalentado.
Etiquetas:
Poesia-Álvaro Teixeira
PENSAMENTO
António Teixeira (Chã-de-Ribeiras)
NADA ERA, AO NADA HEI-DE VOLTAR”
nada, pó,
fecundidade, geração,
feto,
nascimento, luz, criatura,
crescimento, conhecimento,
sabedoria,
infância, puberdade,
adolescência, adulto,
alegrias, tristezas,
envelhecimento, morte,
terra, pó,
nada.
NADA ERA, AO NADA HEI-DE VOLTAR”
nada, pó,
fecundidade, geração,
feto,
nascimento, luz, criatura,
crescimento, conhecimento,
sabedoria,
infância, puberdade,
adolescência, adulto,
alegrias, tristezas,
envelhecimento, morte,
terra, pó,
nada.
Etiquetas:
Poesia-António Teixeira (Chã-de-Ribeiras)
Subscrever:
Mensagens (Atom)