segunda-feira, 11 de junho de 2012

O caracol


António Teixeira (Souto-da-Roda)

Vai caindo a noite
Já não temos sol
Lá no meu jardim
Vive o caracol

Com a casa às costas
Ele vai comendo
Tudo quanto é verde
É seu alimento

Come toda a noite
Sempre sem parar
Ervas e flores
Até se fartar

De cravos a rosas
Tudo ele cobiça
Mas o que mais gosta
É a hortaliça

Ao romper d’ aurora
Volta a recolher
No meio das ervas
Tem que se esconder

E cá vai andando
Não suporta o sol
Nestes verdes campos
Vive o caracol

Fui a Fátima rezar


António Teixeira (Souto-da-Roda)

Fui a Fátima rezar
Pedir à Virgem Maria
Que me guiasse no mundo
Com a sua companhia

Os sinos estavam tocando
Chamando por todos nós
Tanta gente estava junta
Eram pais, netos e avós

Pra junto daquela imagem
O povo ia chegando
De joelhos a seus pés
Todos estavam rezando

Cumpri a minha promessa
De joelhos caminhei
Pra junto daquele altar
Aos pés dela eu rezei

Ouvi terço ouvi missa
Tudo com grande emoção
A saudade vai comigo
Dentro do meu coração

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Encontro com a felicidade

Álvaro Teixeira

De repente apareces tu e pronto:
Tudo agora faz sentido.
Tudo agora me serve de pretexto para dizer:
Como é bela a vida!
Como é belo o presente que me fora dado,
Presente esse que és tu!
Agora sinto preenchido o vazio que a tua
Ausência em mim provoca.
Acabaram-se as saudades do futuro.
Agora só existe Presente, porque este Presente
terá a duração da minha vida terrena.
E se depois, nos céus, me for possível amar-te,
Amar-te-ei eternamente e assim
Este Presente será eterno.
Nem sequer terei saudades do Passado, pois,
Não existe Passado desde que apareceste.
É que o Passado antes de ti, que então eu dividia
Em pequenos Presentes, fora de tal forma angustiante
Que jamais quero lembrá-lo.
Encontrar-te foi encontrar-me com a felicidade.
E quem não quer ser feliz eternamente?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Agora…

Mário Hattos

Figurantes, figurinhas

Numa união sem nexo

Assustadas, coitadinhas

Tudo agora é complexo


Agora estão mansinhas

Em contraste com o começo

Já se foram as palmadinhas

Tudo agora é complexo


Suas caras sisudinhas

São consequência(zinhas)

Pela falta de arremesso


E se não há obrazinhas

P’rás pobres criaturinhas

Tudo agora é complexo.


31/10/2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

A “Árvore”

Álvaro Teixeira

Foi posta a semente na terra.
Nasceu um rebento: era a Árvore.
Com alguns cuidados, cresceu,
cresceu, tornou-se adulta.
Estava já apta a gerar vida,
Mas recusou-se a ser mãe.
“O buraco na camada do ozono;
A poluição na Terra, no ar e no mar;
O fabrico de armas químicas
e o poder nas mãos de loucos…”
Era o pessimismo.
Partir sem deixar descendentes
Seria um alívio, enquanto que deixando
filhos indefesos seria um pesadelo.
“Mas se alguém travar
esta corrida para o abismo?!”
Ficou indecisa.
“Não será irresponsabilidade não contribuir
para a continuação de vida na Terra?
Ia-se interrogando, enquanto que os frios
meses de Inverno davam lugar
a uma Primavera florida, linda, extasiante.
E os seus braços lá estavam,
Ainda pequeninos, os filhos,
Para garantirem a continuação de vida neste,
tão mal tratado, mas tão belo
pedacinho do Universo.

04-09-1990